LEVA TEMPO, MAS VAI DAR TEMPO | PERFORMANCE | CASA SEVA, 2026 SP





"A instalação performática que nomeia a exposição, "Leva tempo, mas vai dar tempo" é ativada pelas artistas através do derretimento da cera que, ao gotejar, constrói uma espécie de estalactite. Na natureza, essa estrutura é capaz de esperar pacientemente um derramamento de gota que a faz crescer 1 cm a cada 100 anos, lembrando-nos mais uma vez de um tempo que nos excede."
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Catalina Bergues, curadora
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ENCONTRO PRESENCIAL | PERFORMANCE | LURIXS, 2023 RJ
"...A prática de Alice e Gabi Gelli busca sucessivamente sublinhar, seja no incansável processo de realização das peças, seja no que se apresenta como obra final, a importância do que está diante de nós, do que vemos como matéria transformada e manejada no fazer (em duo, em diálogo). Assim, é especialmente pela presença conjugada, a nossa e a das obras, que algo importante acontece: é aí onde o que as artistas nos apresentam pode ser incorporado simbolicamente por nós. O espaço do encontro conosco na poética das Irmãs Gelli é intransponível, lugar onde questionamos e desfazemos algo da crescente tendência global à virtualidade das relações, tanto no âmbito da arte quanto no da vida. Tal questão foi desenvolvida com sutil inteligência e precisão por elas na performance Encontro Presencial, onde o cubo ganha uma nova escala, saindo da relação de contenção afável das mãos para uma outra, que dialoga com a arquitetura e vira barreira. Interposto entre os corpos das artistas, o cubo foi perfurado não apenas pelo fogo que o derreteu, mas também pelo desejo de romper, de atravessar, de produzir encontro, contato, afeto..."
Daniela Mattos (Curadora)

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O QUE NOS UNE | PERFORMANCE, 2021 RJ
A perfomance consiste na materialização da distância necessária pela pandemia de Covid-19. Nesse momento, estar longe é sinal de afeto, de resistência, de luta. As artistas começam a performance unidas e vão pouco a pouco se afastando até o rompimento do tecido."
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NOSSAS AVÓS SABIAM O PESO DA AUSÊNCIA | VIDEO-PERFORMANCE, 2024 RJ
Um objeto simples é jogado de um par de mãos a outro. O gesto é repetido continuamente, não como em um jogo esquemático, mas como um ato carregado de intenção e cooperação. O cubo feito de argila terracota traz uma forma que está presente em outras produções das Irmãs Gelli. A escolha nunca é apenas formalista, mas uma manifestação da geometria também sensível, que está inscrita nas coisas do mundo, refletindo a arquitetura do sujeito e das relações.
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Nesse caso, através do impacto do calor das mãos, do toque e movimento, as formas rígidas do cubo suavizam. Ele escorrega, se deixa moldar. Suas quinas e arestas se dissolvem e arredondam. Gradualmente esférico, o objeto suscita a passagem e a presença. O que era sólido e definido, de certa forma, se permite transformar. Essa não é uma imagem que acontece ao acaso, mas demanda a ação e a presença das participantes.
Nossa experiência cotidiana é facilmente excluída da percepção atenta e da presença. Esse talvez seja um sintoma identificado constantemente nas relações. Nesta vídeo-performance, as escolhas instalativas de Alice e Gabi criam mais uma camada narrativa: aqui, o céu capturado pela câmera está no chão, produzindo sobre nossos pés alguma infinitude, como se pudéssemos replicar esses gestos transformativos que dançam entre lá e cá, de uma mão a outra, e aplicá-los em nossa vida.
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A outrora solidez da argila se conecta ao céu e à terra, é como se o material e o etéreo criassem uma dinâmica que é ao mesmo tempo física e metafísica. Do gesto, a simplicidade se faz essência: lançar e receber o cubo, poder incidir no tempo através de uma intenção capaz de aterrar a atenção ao mundo que se habita.
O cubo esférico é um testemunho. O que nesta performance nos convoca a exercitar a presença talvez seja algo bastante central nesta exposição das Irmãs Gelli, algo que encapsula as tentativas de estimular, através da manualidade, da participação e do exercício poético, uma reflexão sobre as existências.
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Daniela Avellar (curadora)
